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04 novembro 2018

CRIOLO RESUME A POLÍTICA BRASILEIRA RECENTE EM "BOCA DE LOBO"

Se você ainda não ouviu e nem assistiu "Boca de lobo" lançado às vésperas do primeiro turno das eleições que nomearam Jair Messias Bolsonaro como o 38º presidente da era republicana do Brasil, é bom saber que se trata de um resumo dos fatos políticos que marcaram a nação brasileira desde as manifestações iniciadas em junho de 2013.

Estão presentes em "Boca de lobo":

- bate panela em varanda gourmet;
- incêndio em prédio ocupado no Largo do Paissandú/SP, em museus e em reservas indígenas;
- prisão de Rafael Braga acusado de portar produto para fazer coquetel molotov;
- escândalo das merendas em São Paulo;
- explosão na Praça da Sé;
- doenças em presídios;
- direitos humanos;
- perseguição e prisão duvidosa de negros, indígenas e mestiços;
- ração humana de Dória;
- elogio à diversidade da cultura brasileira;
- poder das redes sociais;
- recatada e do lar;
- fake news;
- pós-verdades;
- PEC 55 - Proposta de Emenda Constitucional sobre o teto dos gastos públicos, aprovada em dezembro de 2016, que congelou os gastos com educação e saúde até 2036;
- destaque para o alto nível de estudantes da escola pública no Ceará;
- guerra dos tráficos;
- aforismos: textos curtos com sentenças ou princípios práticos/morais;
- alusão à paz em culturas e religiões afro/brasileiras;
- hipocrisia social;
- crítica à hegemonia cultural;
- tucano caça helicóptero que pulveriza pó branco (cocaína) sobre as pessoas;
- políticos presos;
- cobra grande corre por todos os lados;
- carteira escolar pega fogo como alusão às ocupações escolares contra o fechamento de escolas públicas e os descasos com a educação;
- Petrobrás;
- Albert Camus e Dalai Lama são citados;
- porco chafurda na lama que devastou Bento Rodrigues na cidade de Mariana/MG;
- Janaína Pascoal roda a bandeira no centro da cidade e São Paulo;
- evangélico bate na bíblia;
- Marielle Franco em seu vestido florido;
- La la land não é aqui;
- crítica ao SUS;
- novo herói da Disney virá da Cracolândia;
- dinheiro na cueca;
- dinheiro no apartamento de Geddel Vieira;
- morcego alude ao "presidente temeroso" e sobrevoa o Congresso Nacional.

Pois é! Boca de lobo leva para o esgoto. Confira:


Tem muito mais. Acesse aqui a análise da galera do "Pensado nisso".

José Minerini
Editor AEOL

06 setembro 2018

EXPOSIÇÃO "C* É LINDO" FOI ATACADA EM SALVADOR

Tirei um período de férias e estou um pouco atrasado com as notícias de arte e educação, as quais estou tentando colocar em dia.

Polêmica,  contradição e controvérsia fazem parte do universo das artes e tem muita gente que ainda não entendeu isso.

Após críticas pouco fundamentadas a exposição, performance e peça de teatro que todo mundo já sabe, o alvo mais recente foi a exposição "C* é lindo" de Kleper Reis que esteve montada até 12 de agosto no Instituto Goethe de Salvador.

Mesmo com classificação indicativa de 18 anos, foi atacada por conservadores e pessoas que nada entendem de arte.

Fotografia: Mauro Akin Nassor/CORREIO
Disponível em: http://blogs.correio24horas.com.br/mesalte/o-que-eu-vi-na-polemica-exposicao-cu-e-lindo/ 

Como o nome diz - a exposição que ficou fechada durante um dia por conta dos ataques - foi dedicada ao ânus, e ao amor segundo o artista.

É! Estamos vivendo mais um perigoso momento no mundo, o qual, confesso, não imaginei viver, pois histórico e consciência dos males que posturas nefastas provocam são de longe sabidos.

Saiba mais sobre os ataques a essa exposição aqui.

José Minerini

03 setembro 2018

ROCK SPOTS: MOVIMENTO PERPÉTUO

Algumas bandas, sejam nacionais ou de fora, têm vida curta. Isso não quer dizer que sua contribuição tenha sido menos importante.

Nessa linha, merece ser citada a banda Moto Perpétuo.

Formada em São Paulo na primeira metade da década de 1970, teve em seu line-up, Egydio Conde (guitarras e vocais), Diógenes Burani (bateria), Gerson Tatini (baixo e vocais), Claudio Lucci (violões, violoncelo, guitarras e vocais) e nada mais, nada menos que Guilherme Arantes (teclados e vocais).

Imagens: http://www.celsobarbieri.co.uk/memorias/index.php?option=com_content&view=article&id=494:moto-perpetuo-moto-perpetuo-1974&catid=21&Itemid=66  

O álbum “Moto Perpétuo”, filho único dessa formação, chegou em 1974, pela gravadora Continental Discos e conforme Guilherme relata, seu lançamento foi ofuscado, não só pelo mercado musical da época, como pela estratégia da própria gravadora que, ao mesmo tempo lançava A Barca do Sol (outro grande disco para se falar aqui e se ouvir aqui), com apadrinhamento mais forte. Apesar disso, teve sua estreia ao vivo no Teatro 13 de maio, em São Paulo, atual Café Piu-Piu.

"Moto perpétuo" é acima da média e tem ótimos arranjos, apesar das dificuldades de se gravar um álbum de rock progressivo com a tecnologia que se tinha à disposição em nosso país, àquele momento. Essa defasagem pode ser notada, por exemplo, nas gravações de bateria em todas as faixas, onde o baterista Diógenes inseriu incríveis arranjos, com viradas dignas das melhores bandas da década de 70, porém prejudicadas em seu registro final, sem nitidez e engolida por outros instrumentos.

A bateria de “Verde Vertente” é sensacional, pontuada pelo contra-baixo de Gerson Tatini, inspirado nos timbres de Chris Squire (Yes), sem falar no arranjo dos vocais da música inteira. Podemos citar ainda, a faixa “Mal o Sol” que abre o disco, “Seguir Viagem”, que emociona bastante com violões muito bem tocados e uma letra simples e linda. “Conto Contigo”, “Matinal” e “Turba” são outras pérolas que valem prestar atenção e repetir sua audição.

Confira:



"Moto Perpétuo" é uma estrela perdida nessa imensa constelação do rock nacional e abriu caminho para seu tecladista Guilherme Arantes alçar um voo solo extremamente bem-sucedido na música popular brasileira. Ouça-o contando um pouco dessa história:



Parte da banda (Claudio Lucci, Gerson Tatini e Diógenes Burani) voltaria em 1981 para gravar outro lindo LP sob o nome de "São Quixote", com Mônica Marsola (voz e violões) e participações do próprio Guilherme Arantes.



É isso! Aquilo que é bom se perpetua, em qualquer tempo ou espaço.

Carlos Bermudes, especial para AEOL.

07 junho 2018

ANA MAE INFORMA: VISITA A UMA EXPOSIÇÃO MUITO SIGNIFICATIVA


O SESC Ipiranga e o Museu do Ipiranga estão fazendo parcerias para exposições históricas.

O Museu do Ipiranga estará fechado até 2022 para reforma, mas tem um acervo histórico excepcional. Sua diretora, a historiadora Solange Ferraz de Lima, e o conhecido e celebrado designer Chico Homem de Melo, também da USP, organizaram a exposição “Papéis Efêmeros: memórias gráficas do cotidiano”.


Imagem: https://www.sescsp.org.br/unidades/5_IPIRANGA/#/uaba=programacao#/fdata=id%3D5 

É uma exposição para especialistas em design gráfico, adultos de qualquer profissão, e principalmente as crianças, vão adorar.

Fundamentalmente, é uma exposição para avivar a memória e todos os sentidos. Você poderá rememorar até o gosto daquela bala que você costumava comer quando era criança ao ver na exposição o papel que a embrulhava.

Danilo Miranda, um exemplo de gestor impecável e muito inteligente, no catálogo em forma de jornal chega a falar em “Ouvir os Impressos” pois “rótulos, embalagens, anúncios e publicações, em geral sem autoria identificável, contam histórias coletivas cuja compreensão permite leituras mais lúcidas não apenas do passado, mas dos tempos que correm”.

Uma equipe de educadores excelente recebeu meus alunos de Estudos Visuais da Universidade Anhembi Morumbi. Liderados por Danielle Sleiman, cujo trabalho muito dialogal eu já conhecia de outro Centro Cultural, nos fizeram descobrir diferenças culturais e fazer diferentes leituras ao passearmos pelos diferentes núcleos da exposição que são:

- Núcleo Cultura que mostra de livros de receita a impressos de música(1900 a 1950);

- Núcleo Educação onde se pode ver o início da propaganda de São Paulo como o estado educador na década de 20. Quem tem mais de 40 anos vai encontrar  alguma coisa que lembre sua escola pois os anos 20 perduraram até os anos 80 mais ou menos.

- O Núcleo Consumo é variadíssimo.  Trata-se da coleção de Egydio Colombo Filho (1955-2013) que pertence ao Museu do Ipiranga. É o Núcleo que mais apela para a comparação visual, principalmente de rótulos do mesmo produto através do tempo como a vitrine de rótulos de água mineral Lindoya, cujo testemunho gráfico representa o equilíbrio entre a persistência e a mudança.

O Núcleo de Técnicas de Impressão e o de Poéticas do Efêmero são os mais sedutores como também é muito sedutor o Design da exposição com vinhetas de detalhes dos impressos que animam o espaço magnifico do SESC Ipiranga, o qual cultiva a impressão de quintal para brincar.

É uma variável muito interessante para se opor ao “cubo branco” copiado a exaustão pelos nossos museus conservadores, embora de Arte Moderna e Contemporânea, uma contradição. 

Lembrou-me o modo de expor da Coleção Barnes na época de seu criador (anos 70) injustamente difamado.

A exposição ficará até setembro. Em julho haverá uma programação efêmera muito animada e significativa para crianças e adultos e até para colecionadores que terão um dia para mostrar suas coleções de material gráfico.

Professores ganham material didático muito bom para estes tempos de Copa, um álbum de figurinhas não de jogadores, mas rememorador da exposição, uma herança do ideário da Escola Nova: reforço de aprendizagem pela imagem.





Ana Mae Barbosa, especial para AEOL - Arteducação Online

26 fevereiro 2018

BULAT NURIMOV, O VIRAL QUE VEIO DO QUIRGUISTÃO

Sequer sei se o nome do músico é mesmo Bulat Nurimov (ou Bula) porque não leio nada em alfabeto sirílico, muito menos adaptado, caso do quirguiz cantado pelo artista.

Como sei disso? Traudutor Google.

Além de uma batida eletrônica marcante com trecho incidental à la Miami Bass (o mesmo que está na base do funk carioca)  só sei que encontrei muitos vídeos no youtube com gente das mais diversas faixas etárias dançando "Zin, zin, zin", ou "Mexe, mexe, mexe" em tradução irresponsável minha.

Interessou? Tomara que não tenha ofensa a nada e nem a ninguém:


Divertido, né!

José Minerini

24 fevereiro 2018

FIM DE SEMANA AEOL: CAMILA CABELLO

Sensação na música pop, Camila Cabelllo é cantora norte-americana de origem cubana. Ainda não ouviu? O clipe é longo e meio bobinho, por isso optei em postar apenas a música. Dá play:


Que tal?

José Minerini

28 janeiro 2018

EMORAP

Demorou para o atual revival dos anos 1990 destacar algo do universo heroin chic na música pop.

A mistura entre emocore e rap à base do perigosíssimo uso de opióides e remédios tarja preta vem demontrando o espírito destrutivo e violento da geração millenium. São garotos em geral com o rosto tatuado que cantam as emoções e decepções do universo teenager no começo do século XXI.

Confira, mas antes ATENÇÃO: alguns clipes contém palavrões, imagens erotizadas e violentas.

Lil Peep
Imagem: Instagram do artista/http://www.nydailynews.com/entertainment/music/rapper-lil-peep-died-powerful-fentanyl-xanax-overdose-article-1.3686651 



Scarlxrd
Imagem: https://www.last.fm/pt/music/SCARLXRD/+images/cd6742c313f0af92d59189e1d856f042


Lil Xan
Imagem: https://www.famousbirthsdeaths.com/lil-xan-bio-net-worth-facts/



Lil Skies
Imagem: https://www.highsnobiety.com/p/lil-skies-interivew/ 


XXXTentation
Imagem: https://en.wikipedia.org/wiki/XXXTentacion#/media/File:XXXTentacion_Probation_picture.jpg



Lil Pump
Imagem: https://pitchfork.com/artists/lil-pump/



Lil Uzi Vert
Imagem: Michael Zorn/Invision via AP/http://www.tulsaworld.com/scene/music/lil-uzi-vert-schedules-show-at-cain-s-ballroom/article_bfdff327-2008-576f-bdaa-27a3413cc5ee.html


Pelo visto mais uma vez a indústria cultural explora e estetiza as drogas, leva milhares de adolescentes ao vício e depois os abandona pelo mundo. Alias, Lil (leia-se Little) Peep - o primeiro artista desse post - faleceu ano passado no camarim antes de iniciar um show, vítima do consumo explosivo de opióides.

Aquela ideia defendida na já longínqua contracultura da década de 1960 de que a droga era uma experiência de transcendência espiritual e libertação da mente é coisa do passado. É mercado que vicia com vistas ao lucro, mesmo que se pague com sofrimento e a própria vida.

Lil Uzi Vert - o último artista desse post - concorre ao Grammy 2018 como artista revelação.

José Minerini

20 dezembro 2017

É HOJE O CENTENÁRIO DA CRÍTICA DE MONTEIRO LOBATO A RESPEITO DE EXPOSIÇÃO DE ANITA MALFATTI

Há 100 anos Monteiro Lobato publicou no jornal O Estado de São Paulo uma crítica à exposição de pintura moderna de Anita Malfatti que ajudou a dar visibilidade aos modernistas paulistas, que culminou cinco anos depois com a Semana de Arte Moderna de 1922.

O Homem amarelo, pintura de Anita Malfatti feita em 1915 e
que esteve na exposição de 1917.
Imagem disponível em http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento238102/exposicao-de-pintura-moderna-anita-malfatti-1917-sao-paulo-sp 


Já Leu a crítica inteira? Aproveita:

Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêem normalmente as coisas e em conseqüência disso fazem arte pura, guardando os eternos rirmos da vida, e adotados para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres. Quem trilha por esta senda, se tem gênio, é Praxíteles na Grécia, é Rafael na Itália, é Rembrandt na Holanda, é Rubens na Flandres, é Reynolds na Inglaterra, é Leubach na Alemanha, é Iorn na Suécia, é Rodin na França, é Zuloaga na Espanha. Se tem apenas talento vai engrossar a plêiade de satélites que gravitam em torno daqueles sóis imorredouros. A outra espécie é formada pelos que vêem anormalmente a natureza, e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. São produtos de cansaço e do sadismo de todos os períodos de decadência: são frutos de fins de estação, bichados ao nascedouro. Estrelas cadentes, brilham um instante, as mais das vezes com a luz de escândalo, e somem-se logo nas trevas do esquecimento.


Embora eles se dêem como novos precursores duma arte a ir, nada é mais velho de que a arte anormal ou teratológica: nasceu com a paranóia e com a mistificação. De há muitos já que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios. A única diferença reside em que nos manicômios esta arte é sincera, produto ilógico de cérebros transtornados pelas mais estranhas psicoses; e fora deles, nas exposições públicas, zabumbadas pela imprensa e absorvidas por americanos malucos, não há sinceridade nenhuma, nem nenhuma lógica, sendo mistificação pura. Todas as artes são regidas por princípios imutáveis, leis fundamentais que não dependem do tempo nem da latitude. As medidas de proporção e equilíbrio, na forma ou na cor, decorrem de que chamamos sentir. Quando as sensações do mundo externo transformam-se em impressões cerebrais, nós "sentimos"; para que sintamos de maneiras diversas, cúbicas ou futuristas, é forçoso ou que a harmonia do universo sofra completa alteração, ou que o nosso cérebro esteja em "pane" por virtude de alguma grave lesão.

Enquanto a percepção sensorial se fizer anormalmente no homem, através da porta comum dos cinco sentidos, um artista diante de um gato não poderá "sentir" senão um gato, e é falsa a "interpretação" que o bichano fizer um "totó", um escaravelho ou um amontoado de cubos transparentes. Estas considerações são provocadas pela exposição da Sra. Malfatti, onde se notam acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso e companhia. Essa artista possui talento vigoroso, fora do comum. Poucas vezes, através de uma obra torcida para a má direção, se notam tantas e tão preciosas qualidades latentes. Percebe-se de qualquer daqueles quadrinhos como a sua autora é independente, como é original, como é inventiva, em que alto grau possui um semi-número de qualidades inatas e adquiridas das mais fecundas para construir uma sólida individualidade artística.

Entretanto, seduzida pelas teorias do que ela chama arte moderna, penetrou nos domínios dum impressionismo discutibilíssimo, e põe todo o seu talento a serviço duma nova espécie de caricatura. Sejam sinceros: futurismo, cubismo, impressionismo e tutti quanti não passam de ouros tantos ramos da arte caricatural. É extensão da caricatura a regiões onde não havia até agora penetrado. Caricatura da cor, caricatura da forma - caricatura que não visa, como a primitiva, ressaltar uma idéia cômica, mas sim desnortear, aparvalhar o espectador. A fisionomia de que sai de uma destas exposições é das mais sugestivas. Nenhuma impressão de prazer, ou de beleza denuncia as caras; em todas, porém, se lê o desapontamento de quem está incerto, duvidoso de si próprio e dos outros, incapaz de racionar, e muito desconfiado de que o mistificam habilmente. Outros, certos críticos sobretudo, aproveitam a vaza para épater les bourgeois. Teorizam aquilo com grande dispêndio de palavrório técnico, descobrem nas telas intenções e subintenções inacessíveis ao vulgo, justificam-nas com a independência de interpretação do artista e concluem que o público é uma cavalgadura e eles, os entendidos, um pugilo genial de iniciados da Estética Oculta.

No fundo, riem-se uns dos outros, o artista do crítico, o crítico do pintor e o público de ambos. Arte moderna, eis o estudo, a suprema justificação. Na poesia também surgem, às vezes, furúnculos desta ordem, provenientes da cegueira sempre a mesma: arte moderna. Como se não fossem moderníssimo esse Rodin que acaba de falecer deixando após si uma esteira luminosa de mármores divinos; esse André Zorn, maravilhoso "virtuose" do desenho e da pintura; esse Brangwyn, gênio rembrandtesco da babilônia industrial que é Londres; esse Paul Chabas, mimoso poeta das manhãs, das águas mansas, e dos corpos femininos em botão. Como se não fosse moderna, moderníssima, toda a legião atual de incomparáveis artistas do pincel, da pena, da água-forte, da dry point que fazem da nossa época uma das mais fecundas em obras-prima de quantas deixaram marcos de luz na história da humanidade. Na exposição Malfatti figura ainda como justificativa da sua escola o trabalho de um mestre americano, o cubista Bolynson. É um carvão representando (sabe-se disso porque uma nota explicativa o diz) uma figura em movimento. 

Está ali entre os trabalhos da Sra. Malfatti em atitude de quem diz: eu sou o ideal, sou a obra-prima, julgue o público do resto tomando-me a mim como ponto de referência. Tenhamos coragem de não ser pedante: aqueles gatafunhos não são uma figura em movimento; foram, isto sim, um pedaço de carvão em movimento. O Sr. Bolynson tomou-o entre os dedos das mãos ou dos pés, fechou os olhos, e fê-lo passar na tela às pontas, da direita para a esquerda, de alto a baixo. E se não o fez assim, se perdeu uma hora da sua vida puxando riscos de um lado para o outro, revelou-se tolo e perdeu tempo, visto como o resultado foi absolutamente o mesmo. Já em Paris se fez uma curiosa experiência: ataram uma brocha na cauda de um burro e puseram-no traseiro voltado numa tela. Com os movimentos da cauda do animal a broxa ia borrando a tela. A coisa fantasmagórica resultante foi exposta como um supremo arrojo da escola cubista, e proclama pelos mistificadores como verdadeira obra-prima que só um ou outro raríssimo espírito de eleição poderia compreender. Resultado: o público afluiu, embasbacou, os iniciados rejubilaram e já havia pretendentes à tela quando o truque foi desmascarado.

A pintura da Sra. Malfatti não é cubista, de modo que estas palavras não se lhe endereçam em linha reta; mas como agregou a sua exposição uma cubice, leva-nos a crer que tende para ela como para um ideal supremo. Que nos perdoe a talentosa artista, mas deixamos cá um dilema: ou é um gênio o Sr. Bolynson e ficam riscados desta classificação, como insignes cavalgaduras, a coorte inteira dos mestres imortais, de Leonardo a Steves, de Velásques a Sorolla, de Rembrandt a Whistler, ou... vice-versa. Porque é de todo impossível dar o nome da obra de arte a duas coisas diametralmente opostas como, por exemplo, a Manhã de Setembro, de Chabas, e o carvão cubista do Sr. Bolynson. Não fosse a profunda simpatia que nos inspira o formoso talento da
Sra. Malfatti, e não viríamos aqui com esta série de considerações desagradáveis.


Há de ter essa artista ouvido numerosos elogios à sua nova atitude estética. Há de irritar-lhe os ouvidos, como descortês impertinência, esta voz sincera que vem quebrar a harmonia de um coro de lisonjas. Entretanto, se refletir um bocado, verá que a lisonja mata e a sinceridade salva. O verdadeiro amigo de um artista não é aquele que o entontece de louvores, e sim o que lhe dá uma opinião sincera, embora dura, e lhe traduz chãmente, sem reservas, o que todos pensam dele por detrás. Os homens têm o vezo de não tomar a sério as mulheres. Essa é a razão de lhes derem sempre amabilidades quando elas pedem opinião. Tal cavalheirismo é falso, e sobre falso, nocivo. Quantos talentos de primeira água se não transviaram arrastados por maus caminhos pelo elogio incondicional e mentiroso? E tivéssemos na Sra. Malfatti apenas uma "moça que pinta", como há centenas por aí, sem denunciar centelhas de talento, calar-nos-íamos, ou talvez lhe déssemos meia dúzia desses adjetivos "bombons" que a crítica açucarada tem sempre à mão em se tratando de moças. Julgamo-la, porém, merecedora da alta homenagem que é tomar a sério o seu talento dando a respeito da sua arte uma opinião sinceríssima, e valiosa pelo fato de ser o reflexo da opinião do público sensato, dos críticos, dos amadores, dos artistas seus colegas e... dos seus apologistas. Dos seus apologistas sim, porque também eles pensam deste modo... por trás.

Monteiro Lobato

13 novembro 2017

ROCK SPOTS: "THE DARK SIDE OF THE MOON" OU "ALÉM DO POLENGHI"

Os cinco primeiros anos da década de 1970 foram marcados por discos icônicos de Rock, Pop e Folk, tanto na Inglaterra como nos EUA, berços de bandas fundamentais em todas as vertentes do Rock and Roll.

Março de 1973: The Dark Side of the Moon (TDSotM) era lançado.

O ápice da banda inglesa Pink Floyd, formada em 1965, veio com o álbum “The Dark Side of the Moon”, lançado em março de 1973. Os caras já vinham de discos bons, tanto na década de 1960 em sua fase mais psicodélica, como na entrada dos anos 1970, com Atom Heart Mother e Meedle. Mas nada perto do brilho, qualidade e profundidade de TDSotM. Desde 1971, a banda já trazia em suas turnês, números instrumentais que se tornariam o disco retratado aqui.

“TDSotM era uma expressão de empatia política, filosófica,
humanitária que estava louca para sair”.
Roger Waters

Waters reflete sobre a existência humana e escreve sobre temas ainda relevantes hoje em dia, como cobiça, morte, vida, dinheiro, pressão, rotina, loucura, tempo, dor, e é nessa vibe que nasce um dos primeiros discos conceituais do Rock (Progressivo).

Além do teor altamente reflexivo das letras de Waters, o álbum é fruto de um verdadeiro trabalho em equipe, reunindo o melhor de cada músico em técnica, criatividade e capacidade artística. Um trabalho minucioso feito sem a tecnologia que vemos hoje, manualmente, sem automações ou efeitos digitais, quase artesanal que também contou com a habilidade dos Engenheiros de som Alan Parsons e Chris Thomas, sem deixar de fora a capa emblemática criada pelo estúdio Hipgnosis, de Storm Thorgerson (autor de tantas outras capas clássicas do Rock).

Capa do álbum "The Dark Side of the Moon", design de Storm Thorgerson/Estúdio Hipgnosis
Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Dark_Side_of_the_Moon#/media/File:Dark_Side_of_the_Moon.png 

Loops, efeitos sonoros, experimentos eletrônicos, sintetizadores, sequenciadores, relógios, gravadores multi-track, maravilhosos vocais femininos, além da tríade guitarra, baixo e bateria, trazem à tona faixas instrumentais, futuristas, espaciais, pesadas, etéreas, leves, progressivas.

Coloque seus fones de ouvido, deite e ouça “The great gig in the sky” e deixe-a levar seus pensamentos para algum lugar fora do chão, ou reserve 45 minutos do seu tempo para uma experiência completa, dramática, mágica. Entre e saia do outro lado do prisma.




TDSotM fala sobre pessoas e toca em nossos conflitos, valores, impasses, dubiedades e deixa no ar, sob as palavras de Waters, a questão: “A raça humana é capaz de ser humana?”

Números e curiosidades:
- O álbum vendeu mais de 40 milhões de cópias ao redor do mundo, um dos mais vendidos até hoje;
- Quase 600 semanas na lista dos mais vendidos da Billboard e mais de 700 semanas entre os 200 discos mais vendidos do mundo;
- Ainda hoje, vende mais de 250 mil exemplares a cada ano.
- Assista “Zabriskie Point”, de Michelangelo Antonioni (1970), trilha sonora de Pink Floyd, e ouça o embrião de “Us and Them” feita para uma sequência caótica e violenta do filme;
- Foram apresentadas à banda várias versões para a capa e ao baterem os olhos no “Prisma”, esta foi eleita por unanimidade;
- Clare Torry, voz de “The great gig in the sky”, foi gravada em um só take e ao acabar de cantá-la, pediu desculpas, pois achou que não tinha ficado muito bom;
- Ouça TDotM, junto com “O Mágico de Oz”. Embora este mito seja negado pela banda, há uma incrível sincronia das letras e áudio visual entre as duas obras;
- As vozes em off que permeiam todo o disco foram tiradas de perguntas criadas por Roger Waters e entregues em pedaços de papel a várias pessoas que andavam pelo estúdio, artistas, empregados. Perguntas como “Qual a última vez que você foi violento?” eram respondidas, gravadas e posteriormente inseridas em determinados trechos do disco. No final, a voz que se ouve é de Gerry O’Driscoll, zelador dos estúdios de Abbey Road, respondendo à pergunta: "What is 'the dark side of the moon'?" com: "There is no dark side of the moon, really. Matter of fact, it's all dark. The only thing that makes it look light is the sun."

Bibliografia:
HARRIS, John. The Dark Side of the Moon: os bastidores da obra-prima do Pink Floyd. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.
The Dark Side of the Moon (DVD). São Paulo:  ST2 video; Eagle Rock Entertainment, 2002.

O disco (todas as faixas):


Dark Side Of The Rainbow:


Zabriskie Point, o filme (legendas em espanhol):


Carlos Bermudes, especial para  AEOL

P.S.: Não entendeu porgue polenghi está no título desse post? Clique aqui.

09 novembro 2017

THE GATE @ BJÖRK

O último videoclipe de Björk - The Gate - foi lançado em 20 de setembro desse ano e até agora tem pouco mais de 750 mil views no youtube.

Isso em nada representa a grandiosidade do trabalho da artista, que conta neste vídeo com figurino desenhado pelo estilista da Gucci Alessandro Micheli que consumiu quase dois meses trabalho, mais precisamente, 550 horas para confeccionar e 320 para bordar pérolas e pedraria.

Ainda não assistiu The Gate até o final? Aproveita e assiste agora:


Que tal? Essa música faz parte do novo álbum da artista, prometido para ser lançado daqui duas semanas.

Estamos esperando!

José Minerini

05 novembro 2017

FEDERAÇÃO DE ARTE EDUCADORES DO BRASIL REPUDIA SUSPENSÃO DE PROFESSORES NO PARANÁ POR CONTA DE UMA EXPOSIÇÃO DE ARTE NA ESCOLA

A Federação de Arte Educadores do Brasil divulgou nota de repúdio à suspensão dos educadores Sidnei Marcelino dos Santos e Fabricia Fernanda Donofri, responsáveis por uma exposição com trabalhos artísticos de alunos da 3ª série do Ensino Médio em escola do interior do Paraná.

Leia-a na íntegra:
________________________________________________________________________________

 Nota de repúdio à suspensão de professores por conta de uma exposição de arte em escola do Paraná


A FEDERAÇÃO DE ARTE EDUCADORES DO BRASIL (FAEB), entidade que possui trinta anos de existência e representa os profissionais de ensino da área de Arte no Brasil, vem a público repudiar a suspensão do Professor Sidnei Marcelino dos Santos e da Professora Fabricia Fernanda Donofri, educadores do Colégio Estadual Dom Geraldo Fernandes, situado na cidade de Cambé, interior do Estado do Paraná, por conta de uma exposição de arte produzida a partir dos conteúdos transversais nos processos educativos. Tal absurdo se deu porque alunos e alunas do terceiro ano do ensino médio dessa escola apresentaram trabalhos artísticos que se referem a temas como aborto, abuso sexual, intolerância religiosa, pedofilia e suicídio, conforme noticiado pela imprensa.

Considerando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional,  LDB 9.394/96, que determina em seu Artigo 3º que o ensino deve ser ministrado com base nos princípios de “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber”.

Considerando ainda o Artigo 26º da LDB 9.394/96, que determina em seu  parágrafo 9o que, os “Conteúdos relativos aos direitos humanos e à prevenção de todas as formas de violência contra a criança e o adolescente serão incluídos, como temas transversais[...]”. Este parágrafo referencia o Estatuto da Criança e do Adolescente Lei 8069 ao relacioná-lo aos temas transversais presentes em diversas manifestações artísticas, como os apresentados na referida exposição.

Considerando os Parâmetros Curriculares Nacionais - Arte  que determinam que:

O conhecimento da arte abre perspectivas para que o aluno tenha uma compreensão do mundo na qual a dimensão poética esteja presente: a arte ensina que é possível transformar continuamente a existência, que é preciso mudar referências a cada momento, ser flexível. Isso quer dizer que criar e conhecer são indissociáveis e a flexibilidade é condição fundamental para aprender. (BRASIL, 1997, p. 19)

A FAEB vem a público repudiar qualquer tipo de punição ou censura contra os educadores do Colégio Estadual Dom Geraldo Fernandes, que estavam cumprindo a função de educar pela arte para temas absolutamente relevantes na vida contemporânea. Educação que não cumpre seus papeis formativos, críticos e sociais não exerce plenamente sua função.

Manifestamos nosso apoio aos nossos colegas professores desejando que não se intimidem com a arbitrariedade sofrida.

Continuemos exercendo nosso papel, PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO, PELA LIBERDADE DE ARTE EDUCAR !!



Leda Maria de Barros Guimarães
Presidente da FAEB (faeb.diretoria@gmail.com)




DIRETORIA DA FAEB 2017/2018
PRESIDENTE: Leda Maria de Barros Guimaraes - UFG/GO
VICE-PRESIDENTE: Ana Paula Abrahamian de Souza - UFRPE/PE
DIRETORA FINANCEIRA: Luzirene do Rego Leite - SEEDF/FADM/DF
DIRETORA DE ARTICULAÇÃO POLÍTICA: Fabiana Souto Lima Vidal - UFPE/PE
DIRETORA DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS: Verônica Devens Costa - SEME-PMV/ES
DIRETOR DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS: Sidiney Peterson Ferreira Lima - UNESP/SP

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A nota original está publicada aqui. Divulgue-a!

21 julho 2017

A HORA E A VEZ DA SOFRÊNCIA FEMINISTA

Afirmo sem receio algum que a música popular brasileira é dominada por vozes femininas, tanto que é hábito no jornalismo cultural apresentar a cada ano que se inicia uma lista com promessas de mulheres a se destacar na MPB.

São tantas que teria que escrever um compêndio só para isso. Mas, enquanto não tenho coragem para tanto (mesmo porque sou mero ouvinte - embora atento - sem pretenção de tornar-me historiador da música), compartilho aqui breve análise sobre um fenômeno atual: as cantoras de sofrência.

Música de corno que sofre é tradição no meio sertanejo, no qual homens lamentam traições e perdas de mulheres amadas (ou desejadas). Ouça um clássico dos cornos:


Enquanto eles choravam a traição no Fuscão Preto amaldiçoando o ronco do motor Wolkswagen, elas mantinham-se fiéis aos ideais românticos, do encontro com o amor eterno. Este é o caso de músicas compostas e gravadas pela bem-humorada Roberta Miranda.


Ela falou em destino? Que nada! Vingança tarda mas não falha.

As mulheres da sofrência respondem de outro modo. Feminismo? Talvez! Fato é que elas estão empoderadas e dão o troco sem pestanejar.

As músicas abaixo vêm sendo ouvidas à exaustão já faz algum tempo. Todas se apropriam do discurso do cornudo traído e não deixam nada passar incólume. Dê play nos vídeos abaixo e preste atenção no que elas elas cantam.

A fila anda. Enquanto cê tá indo eu tô voltando!


Suas malas estão na porta, infiel!


Pega esses R$50,00 e aproveita. Deixa que eu te ajudo a pagar a conta do motel!


A lição das cachorras do funk chegou ostentando na sofrência:


Sorte sua que cê beija bem. Se não fosse isso eu não voltava, não!


Você se envolveu com uma amiga minha e quero os dois na rua agora!
Não gostou? Fala com meu advogado:


Incompetente! Você não foi capaz de me fazer feliz!


Te dei tudo e você se iludiu com essa "bandida". Fica com ela então, porque eu vou ficar com outro!




Eitaaaaaaa! Acaba não mundão!!!

Car@ leit@r, busque na internet músicas e vídeos de sofrência e encontrarás muito mais com elas. Foi-se o tempo em que homens choravam por um um fio de cabelo no paletó. Não é Chitão, não é Xororó?


Sofre sim rapaz, porque a mulherada está no poder. Xororô sofrido, né!

Tomara que o universo machista continue a se desmantelar e que outras possibilidades não binárias macho/fêmea se revelem não só na música sertaneja mas em todo e qualquer outro contexto.

Voltando ao início desse texto, Roberta Miranda é tão inteligente que recebeu Marília Mendonça em um de seus shows e reconheceu que os tempos mudaram. A fila andou, e desandou. Bom pra todo mundo!


Coragem, migo, coragem! Assista a um show com várias delas juntas e... seguuuuuuura esse estrogênio peão! Se for capaz, claro!


José Minerini

17 julho 2017

REGGAETON É O NOVO RITMO QUE AMAMOS ODIAR

Se você é daquel@s que adora falar que odeia funk carioca, é melhor ficar longe das festas e pistas de dança que estão tocando há mais de mês "Despacito", afinal, trata-se de um gênero musical portoriquenho chamado reggaeton ou dancehall tão popular, sexualizado e vulgar quanto o nosso funk.

Ouça mais uma vez "Despacito", já comparado por alguns críticos a "La Bamba", sucesso mexicano de 1958 há décadas imortalizado.



Tem mais. Veja "as mina" dançando reggaeton até o chão (R.I.P. J Capri):


Não curtiu? Tenta mais uma vez com a moçada de "La Nueva Scuela":


Ainda não rolou você "curtí" essa parada dancehall aí?

Sobrou de novo para Anitta resolver nas quebradas daqui e nos morros dalí essa parada e polemizar sobre. Estratégia de marketing? Pode ser, mas que está rolando, está!

Há festas reggaeton/dancehall acontecendo em casas badaladas Brasil adentro, ofuscando a tentativa do povo fashinista de reviver a cena cubber que remixa os idos noventistas. Se a imagem de moda clubber pega aos poucos, a música não.

A ex-funkeira e atual top pop brasileira que muita gente adora destestar fez o que devia fazer: "Sim ou não"!

Graçãs a isso, mais uma vez ouvimos a sonoridade dos substratos socioculturais brasileños y latinoamericanos gritando em uníssono, o que é ótimo.
Chic@s, que tal? Libertad aunque tardía.

Confira o dancehall do reggaeton libetário no show da poderosa dizendo sim ou não pro bonde passar. Participação do colombiano Maluma:



Você ainda não se convenceu que esse tal de reggaeton lacra geral? Dá uma paradinha:


Não é fácil dormir com um barulho desses que insite em dançar em nossos halls, reais ou virtuais. Ou tentando entrar em nossas varandas gourmets.

Respeitemos Anitta, cantora bem produzida pela indústria cultural que respeita as ousadias musicais e sociais das alas que Chiquinha Gonzaga abriou cortando jaca; da música de Dalva de Oliveira cantando os "verde zóio"de Kalu; de Elza Soares cantando sua bossa negra que vai do cóccix até o pescoço para quaisquer Marias, mulheres do fim do mundo que carregam latas d'água na cabeça e passam fome; ou das pernas abertas de Gal Costa na capa do disco Índia;  quiçá as vampirizações de Vange Leonel; Daniela Mercury mixando eletronicamente axé no trio elétrico; Pitty e seu rock sofisticado herdado de Raulzitos, Marcelos Novas e xibombombons d'As Meninas; ou de Deise Tigrona na voz da negra cachorra favelada da comunidade que nunca esteve na moda como a feia Tati Quebra-barraco, que teve um filho assassinado na Cidade de Deus,... .

São tantas histórias, tantas mulheres, tantas músicas importantes que muitos ouvem mas nada escutam. O que nos resta? Pense aí que penso aqui!

Em tempo: Há iniciativas querendo criminalizar a música funk. Como menosprezar essa relevante riqueza cultural da música popular brasileira que dá voz aos oprimidos?

Não basta o que se fez com o samba e com as músicas afrobrasileiras de terreiro no passado?

José Minerini

Observação: Esse texto usa gírias e jargões de culturas periféricos e de comunidades marginais pelo ponto de vista de um paulista, reconhecendo suas importâncias na cultura brasileira.

16 julho 2017

TUDO BOM! FUNK CARIOCA ISRAELENSE

Sabe aquela música chiclete? Assim é "Tudo bom", cantada em português e hebraico por Static & Ben-El Tavori.

Hit total em Israel com clipe mega produzido feito em Tel Aviv. Dá play:


Divertido, né!
Percebeu que vai do funk carioca ao berimbau do funk rasteirinha e ao samba?

José Minerini

19 março 2017

A DIVERSIDADE DE GÊNEROS DE MATHEUS VON KRÜGER

"Quero ver geral mexer a pélvis
para lá
para cá
para lá 
para cá quero ver mexer..."
Se você não tolera agênero, poliamor, pluralidade sexual e multidentidade, é melhor não assistir "Pélvis", de Matheus von Krüger: 



Matheus VK foi uma das sensações do carnaval 2017.  Seu último disco - "Vagalume" - é muito interessante. Ouça:


Que tal?

José Minerini

19 janeiro 2017

GORILLAZ DÁ BEIJINHO NO OMBRO PARA DONALD TRUMP

Oremos!
Here is our tree
That primitively grows
And when you go to bed
Scarecrows from the far east
Come to eat
Its tender fruits
And I thought the best way to perfect our tree
Is by building walls
Walls like unicorns
In full glory
And galore
And even stronger
Than the walls of Jericho
But glad then my friend
Out in the field we shall reap a better day
What we have always dreamt of having
Are now for the starving
It is love, that is the root of all evil
But not our tree
And thank you my friend
For trusting me
Hallelujah
(Hallelujah)
Hallelujah money
(Past the chemtrails)
Hallelujah money
(Hallelujah money)
Hallelujah money
(Hallelujah money)
Hmmm
Hallelujah money
(Hallelujah)
Hallelujah money
(Oooh)
How will we know?
When the morning comes
We are still human
How will we know?
How will we dream?
How will we love?
How will we know?
Don't worry, my friend
If this be the end, then so shall it be
Until we say so, nothing will move
Ah, don't worry
It's not against our morals
It's legal tender
Touch, my friend
While the whole world
And whole beasts of nations desire
Power
When the morning comes
We are still human
How will we know?
How will we dream?
How will we love?
How will we know?
(Hallelujah money)
Hallelujah money
(Past the chemtrails)
Hallelujah money
(Hallelujah money)
Hmmm
Hallelujah money
(Hallelujah money)
Hallelujah money
(Oooh)
Hallelujah money
Hallelujah money
Hallelujah
Hallelujah money!
Saiu hoje "Hallelujah Money", videoclipe da banda virtual Gorillaz, cuja letra está acima.

Idealizada no final dos anos 1990 pelo ex-Blur Damon Albarn e por Jamie Hewlett - um dos criadores da história em quadrinhos Tank Girl  - "Hallelujah Money" é o novo single dessa banda, que não lança nada desde 2011.

Na véspera da posse de Donald Trump como presidente dos EUA, este clipe mostra imagens da Trump Tower em Manhattan e conta com a participação de Benjamin Clementine. Que voz!

Confira:


Viu as máscaras sagradas subsaarianas e o butô japonês? E o mexicano? E o arco-íris gay? Em tempos de intolerância reinante (tem até Ku Klux Klan no clipe), é sempre bom lembrar que a diversidade existe. E é linda!

Como diria Bob Esponja: Ehehehehehe, que legal, que legal, que legal! (essa frase só fará sentindo para quem assistir ao clipe até o final).

E a imagem do cowboy? Ronald Reagan? E o palhaço? Representa eu, você, dois filhos e um cachorro? Ahã!

Será que vem álbum novo dos Gorillaz por aí? Tomara que saia antes do mundo acabar nas mãos de Trump. Viva la vida rica! SQN!

Por que o título desse post cita Valesca Popozuda? Sei lá! Talvez porque estejamos vivendo um momento nonsense mundial.

José Minerini

16 janeiro 2017

A VIDA SEXUAL DE UM CEGO

Você já parou para pensar como é a vida sexual de uma pessoa deficiente? O teaser abaixo é sobre isso. Dá play:


A vida sexual de um deficiente físico é o fio condutor da peça "Um homem comum" (1HC), que vem sendo encenada em vários palcos de São Paulo desde 2016 e atualmente está em cartaz no Teatro UMC.

Divulgação

Com dramaturgia de Edgar Jacques, a peça trata das pulsões sexuais de Fábio, um jovem universitário cego que mora com sua mãe.

Além de escrever "Um homem comum", Edgar interpreta Fábio que, assim como a personagem criada e interpretada por ele, é cego. Sheila Donio vive sua mãe e Vini Hideki o amigo da faculdade.

Da esquerda para a direita: Vini Hideki, Edgar Jacques e Sheila Donio
Fotografia: Juliana Dantas

A cenografia é composta por um painel de tomografias que divide o palco entre o quarto de Fábio e a área social de sua casa, tensionada pela iluminação.

Os diretores André Luis e Rick Conte lançam mão em vários momentos da derrubada da quarta parede ao modo brechtiano em cenas de plateia com o amigo universitário e no epílogo de Fábio, cuja crueza nada agradável sobre deficiência, família, amigos, sociedade, desejos e afins é ao menos desconcertante.

Destaques para a cena de reconhecimento do corpo no outro e da 'pietá' jurando ao filho viver eternamente.

Humanizador, "Um homem comum" aborda questões delicadas sobre a vida com deficiência e é justamente por isso que deve ser visto. Preços, dias e horários estão disponíveis aqui (fácil estacionamento e acesso pela estação Leopoldina da CPTM).

Vamos? A Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo deveria apoiar essa peça.

ATENÇÃO: A seção de 19 de janeiro terá audiodescrição e libras. Se você não é deficiente e tem interesse em assistir a uma peça de teatro com os olhos vendados eis a oportunidade.

I-M-P-E-R-D-Í-V-E-L

José Minerini

09 janeiro 2017

MAJED AL-ESA - MULHERES SAUDITAS TAMBÉM ANDAM DE SKATE (OU GIRLS JUST WANNA HAVE FUN)

Elas andam de skate, dirigem triciclos, patinam, usam saias de tule colorido, calçam tênis e jogam basquete... Fazem tudo que uma mulher não pode fazer na Arábia Saudita.

Anyway, elas se divertem... e muito! Isso sim é empoderamento feminino. Obrigados a Sonia Bercito e a seu filho Diogo pelas informações sobre Majed Al-Esa.

Confira:


Diogo Bercito escreve mais sobre isso aqui.

Se eu fosse Sílvio Santos diria: Elas vão pro trono ou não vão? Como não sou, então digo: Elas lacram ou não?

Enquanto isso, aguardemos a posse de Donald Trump ouvindo e dançando com Cyndi Lauper:


Já que o assunto desse post virou diversão, segue uma dica ao prefeito cosplayer paulistano:

Após o traje de gari usado no primeiro dia como prefeito, que tal trajar uma roupa lacradora na semana que vem? Garanta seu trono (e a nossa diversão) usando burca, niqab, chador, al-amira, hijab, shayla...

Isso sim seria empoderamento, em amplo sentido.

José Minerini

03 janeiro 2017

O PUNK ROCK DE CABBAGE

Qualquer semelhança dessa banda inglesa com a californiana Dead Kennedys não me parece mera coincidência. Se não for, parabéns aos novatos pela ótima influência e pela tentativa de renovar a desgastada musicalidade pós-punk.

Compare:



José Minerini

02 janeiro 2017

JORJA SMITH

Está aberta a temporada de apostas nos músicos que se destacarão em 2017.

Conhece Jorja Smith?

Jorja Smith
http://www.hungertv.com/feature/meet-jorja-smith-the-uks-newest-rb-star/ 

Tem crítico dizendo que é a nova Amy Winehouse. Pra variar, essas rotulações são desnecessárias. Ouça:

 

A voz potente da cantora merece produção melhor. O teclado sintetizado com pegada anos 80 é,  ao menos, desanimador.

José Minerini