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29 agosto 2011

ENTREVISTAS COM ARTE/EDUCADORES 03: PIO SANTANA

Terceiro post da série "Entrevistas com arte/educadores" aqui no AEOL.

A primeira foi com Claudio Ribeiro Barros e Paulo Nin Ferreira. Depois entrevistamos Ednaldo Britto e agora a conversa é com Pio Santana.

Artista/educador apaixonado (e apaixonante) efetivo na Rede Estadual Paulista, Pio é também professor universitário, membro da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas do Estado e super conhecido em São Paulo.

Vivencia todos os lugares nos quais a arte e a educação se configuram e acredite: Pio consegue estar na sala de aula e recentemente na coordenadoria Estadual, participa de encontros, cursos, palestras, seminários e ainda por cima faz arte, assiste a espetáculos e concertos, visita exposições e tudo mais que a cena cultural paulistana oferece.

Haja fôlego. E ele tem! Mestre em Artes pela UNESP, é graduado em Educação Artística/Artes Plásticas e especialista em História da Arte.

AEOL: Como a arte e a educação entraram em sua vida?

Pio: Gosto de pensar que eu e a arte nos embricamos antes mesmo do meu nascimento. Compartilhamos a existência desde que eu era um pequenino feto - rs.

Imagino que naquele estado eu já brincava no útero de minha mãe com as sensações da vida e ao nascer me encantei com visualidades, sonoridades e demais impressões captadas pelos sentidos que estabelecem a plenitude do existir.

A educação artística que vivenciei no ensino básico confirmou minha relação de amor pela arte, disciplina favorita nos tempos em que eu era aluno.

Estudei este fenômeno na universidade, graduei-me e pós graduei-me na área e quando passei a produzir artisticamente não parei mais.

Em 1999 pisei pela primeira vez em uma sala de aula e desde então passei a me reconhecer também como professor de Arte na base da rede pública do Estado de São Paulo. Uma experiência impar!

Isso foi e continua sendo muito significativo em minha vida. A sala de aula trouxe aprendizados que jamais imaginei, sobretudo na relação com a arte e no reconhecimento do quanto a educação é importante neste amplo sistema que envolve meus alunos e instituições culturais e de ensino que já trabalhei e que continuo a trabalhar.

Como seria para você a escola ideal?

Muitas vezes me vejo pensando nisso. Minha utopia aponta um lugar primeiramente amplo e aberto a todos, em qualquer situação de saúde física, mental ou econômica. Lugar contemporâneo, confortável, ambientado e instrumentalizado que permita as mais variadas vivências culturais, artísticas e científicas. Lugar de encontros e trocas, de romper preconceitos e fronteiras.

Que pulsem ritmos saudáveis, como se a escola fosse metaforicamente o coração das boas ideias do mundo a bombear o sangue das melhores invenções e pensamentos.

Neste lugar o professorado teria dedicação exclusiva e seus salários equivaleriam aos dos deputados federais de nosso país.

Utopia? Para mim as utopias são verdades e não arredo o pé. Ocupo o meu lugar, sabe!

Que lindo! Todos nós acreditamos e trabalhamos para que isso sempre aconteça. Você é um dos mais conhecidos e participativos arte/educadores na cena cultural paulistana. De onde vem toda essa energia?

Da paixão e do amor por essa coisa que chamamos de Arte e suas muitas relações.

Quais são os fundamentos para o ensino e a aprendizagem da arte que norteiam seus ideias?

Muitos... Sobretudo os disponíveis em autores fundamentais como Ana Mae Barbosa, Paulo Freire, John Dewey, Jorge Larrosa, Mirian Celeste Martins, Vygotsky, entre tantos outros. Conheci vários deles em minha trajetória profissional e pude sistematizar este conhecimento no mestrado quando fui orientado por Rejane Coutinho, uma das fundadoras do AEP.

Pio Santana

Quais artistas, exposições, filmes, músicas, espetáculos etc ocupam um lugar especial em você?

Artistas:
Marcel Duchamp,
Joseph Beuys e
Andy Warhol.

Exposições:
São tantas... destaco três:
29ª Bienal de São Paulo em 2010,
Morte das Casas em 2004 no CCBB de São Paulo,
Andy Warhol: Motion Pictures em 2005 no MAM.

Filmes:
9 e 1/2 Semanas de Amor - Adrian Lyne,
Tempos Modernos - Charles Chaplin,
Cinema Paradiso - Giuseppe Tornatore,
O Piano - Jane Campion,
Cisne Negro - Darren Aronofsky,
e por aí vai.

Músicas:
John Lennon – Imagine,
Nirvana - Smells Like Teen Spirit,
Led Zeppelin - Stairway To Heaven,
The Mamas & The Papas - California Dreaming,
The Animals - House Of The Rising Sun,
Queen - Bohemian Rhapsody,
Michael Jackson - Thriller,
Adoniram Barbosa - Trem das Onze,
Pixinguinha - Carinhoso,
Luiz Gonzaga - Asa Branca,
Chico Buarque - Apesar de Você,
Cássia Eller - Malandragem,
Zeca Pagodinho - Deixa a vida me levar,
Gonzaguinha - O que é o que é,
Cazuza - Brasil,
e outras tantas mil.

Espetáculos:
"Coisas do Brasil" do Ballet Stagium ficou especialmente na memória.

Para finalizar, ser arte/educador é:

Ser mediador, simpático, inserido no universo da cultura, da arte e da educação; ser eterno pesquisador neste universo; saber operar com imagens, objetos ou obras de arte numa boa conversa com seus interlocutores.

AEOL agradece a Pio Santana e sugere: Caso encontre-o, não perca a oportunidade de conviver com toda esta vitalidade, quer seja na arte, na educação ou no sofisticado prazer de existir (e viver intensamente - grifo do editor).
 
Pio Santana em entrevista exclusiva para AEOL
AEP 10 ANOS
http://www.arteducacaoproducoes.com.br/
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26 agosto 2011

ENTREVISTAS AEOL COM ARTE/EDUCADORES

Segunda-feira será publicado o terceiro post da série Entrevistas AEOL com Arte/educadores. Nosso entrevistado é um dos mais conhecidos arte/educadores de São Paulo.

Não perca!

29/08/2011 às 10h00, aqui no AEOL.

AEP 10 ANOS
http://www.arteducacaoproducoes.com.br/
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15 agosto 2011

PROFESSORES FALAM NA BIENAL DE SP

Edward Willian K. Wandeu e Pio Santana foram os primeiros professores que falaram nos encontros preparatórios para "Em Nome dos Artistas", exposição que comemorará os 60 anos da Bienal de São Paulo a partir de setembro. Saiba tudo aqui.

É emergente na cena cultural a abertura de espaços para professores apresentarem seus trabalhos. Que ótimo!

O arte/educador Pio Santana apresentando seu trabalho na Bienal de São Paulo

Amanhã será a vez dos professores Márcio Casarotti e Oiram Bichaff.

Anote:

Data: 16 de agosto (terça-feira)
Horário: 10h às 13h
Local: Parque Ibirapuera, Portão 3. Pavilhão Ciccillo Matarazzo, 3° piso
04094-000 - São Paulo - SP - Brasil
Auditório do MAC-USP (Museu de Arte Contemporânea da USP)
(lembre-se de trazer zona azul – o cartão de 1 hora, no parque vale por 2 horas)

Artista apresentado: Cindy Sherman
Professor Convidado: Márcio Casarotti é artista plástico, escritor e professor de Publicidade e Propaganda na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Universidade da Amazônia (Unama) e Panamericana. Márcio é mestrando em Comunicação e Práticas de Consumo pela ESPM, com especialização MBA Executivo em Comunicação e graduado em Comunicação Social pela mesma instituição. Também é formado em Engenharia de Produção de Materiais pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Atua, desde 1984 em Marketing, Comunicação e Eventos, em níveis de gerência, consultoria, diretoria.


Data: 16 de agosto (terça-feira)
Horário: 14h às 17h
Local: Parque Ibirapuera, Portão 3. Pavilhão Ciccillo Matarazzo, 3° piso
04094-000 - São Paulo - SP - Brasil
Auditório do MAC-USP (Museu de Arte Contemporânea da USP)
(lembre-se de trazer zona azul – o cartão de 1 hora, no parque vale por 2 horas)

Artista apresentado: Jeff Koons
Professor Convidado: Oiram Bichaff é orientador Educacional do Ensino Médio no Colégio Guilherme Dumont Villares e coordenador nos cursos Eletivos de Arte - (música, artes plásticas, teatro, dança, coral, violão, guitarra, bateria). Oiram também é músico, membro da banda Feitos e Efeitos. Atua em projetos ligados a musicalização de espetáculos teatrais e festivais de música.

Informações: (11) 5576-7611 (11) 5576-7611 r. 7688, educativo@bienal.org.br



Informação AEOL: Logo mais você lerá aqui uma entrevista exclusiva com Pio Santana, um dos mais conhecidos arte/educadores de São Paulo.

José Minerini
AEP 10 ANOS
http://www.arteducacaoproducoes.com.br/

15 outubro 2010

ENTREVISTAS COM ARTE/EDUCADORES 2: EDNALDO BRITTO

Nada melhor para o Dia dos Professores do que uma conversa entre professores.

Neste segundo post da série "Entrevistas com Arte/educadores", AEOL conversa com  Ednaldo Nunes Britto, professor na Educação Básica e no Ensino Superior em Belém.

ARTEDUCAÇÃO ONLINE conheceu Ednaldo através da promoção sobre Susana Rodrigues e agradece a gentileza deste arte/educador em compartilhar conosco seus pareceres sobre arte e educação no Pará.

AEOL: Como surgiu seu interesse pelo ensino da arte?

Ednaldo: Quando decidi cursar Artes Plásticas na Universidade Federal do Pará eu tinha apenas 19 anos. Com esta idade eu ainda não conseguia compreender, exatamente, o que significava ser licenciado em Artes.

O prazer que eu sentia ao ter contato com a linguagem do desenho foi o que me desviou da velha tradição familiar de sempre optar pelas áreas do direito ou da medicina. Hoje, embora eu compreenda a importância das outras áreas do conhecimento, não tenho dúvidas que fiz a melhor escolha.

A compreensão do significado do ensino de arte foi algo que se constituiu em mim durante o período em que frequentei a licenciatura. Lembro do importante contato que tive com os livros “O que é arte” do professor Jorge Coli e “O que é beleza” de João-Francisco Duarte Júnior, publicados em formato de bolso pela editora Brasiliense. A partir deste momento, meu envolvimento emocional com as artes visuais adquiriu também um caráter racional e reflexivo.

AEOL: Quais fundamentos sobre arte/educação norteiam sua prática docente?

Ednaldo: Essencialmente, considero a arte uma capacidade humana ancestral e inalienável de transformação da realidade por meio do senso estético. Esta definição, fundamentada na concepção de arte como capacidade humana, mantém em minha prática docente um vínculo permanente com o conceito de “Educação como prática da liberdade” formulado por Paulo Freire.

Considero também as teorizações elaboradas por cientistas ou pensadores ligados a outras áreas do conhecimento, tais como Darcy Ribeiro (antropologia), Pierre Bourdieu (Sociologia), Michel Foucault (Filosofia), Ruy Cezar do Espírito Santo (Educação), João de Jesus Paes Loureiro (Estética e Literatura) e Howard Gardner (Neurologia).

Ao optar por tais fundamentos, excluo de minhas práticas educativas a possibilidade do emprego dos conhecimentos artísticos e estéticos como meros instrumentos para a vinculação da formação discente aos interesses do sistema das artes.

Antes, e de forma prazerosa, a obtenção de tais conhecimentos deve significar para os estudantes um entendimento crítico da presença e condição da arte em suas vidas e na sociedade.

AEOL: Compartilhe conosco alguma experiência de ensino/aprendizagem da arte que você considera marcante.

Ednaldo: Após quinze anos como educador e gestor cultural considero - em meio a tantas experiências e projetos educacionais que realizei ou participei - que a prática do ensino de arte em espaços urbanos, fora das quatro paredes das salas de aulas, foram as mais significativas experiências didáticas que tive a oportunidade de planejar e compartilhar com os meus alunos.

Transformar a cidade e seus elementos constitutivos em matéria prima para o exercício da educação em arte, é algo fascinante. Foi a partir desta ideia que propus aulas-passeio pelo centro histórico de Belém aos meus alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos) da Escola Municipal Miguel Pernambuco Filho e do curso de Artes Visuais da UFPA.

Após algumas orientações e estudos preliminares, vivenciamos experiências educacionais onde a observação direta da paisagem urbana e o diálogo se constituiram como elementos condutores do aprendizado.

AEOL: Conte-nos um pouco sobre o panorama da arte contemporânea em Belém.

Ednaldo: Santa Maria de Belém do Grão Pará é uma cidade culturalmente ímpar que irá completar quatrocentos anos de existência em plena Amazônia. Cidade onde as marcas deixadas pela história se misturam hoje às torres de concreto que verticalizam a paisagem urbana para abrigar "novos ricos". Um lugar assim, não poderia deixar de ter uma produção de arte que não fosse também ímpar e, ao mesmo tempo, repleta de contradições.

No que diz respeito à produção atual, ligada ao sistema das artes, é possível afirmar que o cenário nunca foi tão promissor para os artistas locais. Arrisco-me a dizer que a geração do pintor Emmanuel Nassar e do fotógrafo Luiz Braga, nas décadas de 1980 e 1990, foi responsável pela projeção inicial da arte contemporânea produzida em Belém para os cenários nacional e internacional.

Emmanuel Nassar (Capanema/PA, 1949), "Rosa dos Ventos"

Atualmente, artistas belenenses estão participando da Bienal de São Paulo e de exposições na China, integram o acervo do Museu de Arte de São Paulo, estão realizando intercâmbios e conferências no Canadá e recebendo prêmios por suas obras.

Luiz Braga (Belém, 1956), "Babá Patchouli, 1986

O lamentável diante deste cenário tão significativo é saber que um número considerável de professores de arte que atua nas escolas da cidade desconhece esta realidade, e que o acesso às obras de arte ainda é mantido como algo restrito a uma minoria da população local.

Assista a um vídeo que apresenta a obra de artistas paraenses.

Vasco Cavalcanti, "Cultura Pará"

Neste vídeo destaca-se a ausência de Alexandre Sequeira, Alberto Bitar, Guy Veloso, Marcone Moreira e Flávio Araújo. Conheça estes artistas e muito mais sobre a arte no Pará aqui.

Ednaldo Britto em entrevista exclusiva para ARTEDUCAÇÃO ONLINE
http://www.arteducacaoproducoes.com.br/
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01 setembro 2010

ENTREVISTAS COM ARTE/EDUCADORES 1: CLAUDIO RIBEIRO BARROS E PAULO NIN FERREIRA

ARTEDUCAÇÃO ONLINE INAUGURA COM ESTE POST ENTREVISTAS COM ARTE/EDUCADORES QUE ATUAM ENFATICAMENTE NO PANORAMA DA ARTE, EM SEU ENSINO E EM SUA APRENDIZAGEM.

A PRIMEIRA ENTREVISTA É COM CLAUDIO RIBEIRO BARROS E PAULO NIN FERREIRA QUE O ARTEDUCAÇÃO ONLINE CONHECEU ATRAVÉS DO BLOG FORMA E CONVERSA.

Tag do blog "Forma & Conversa" desenvolvido por Claudio e Paulo
(imagem: blog Forma e Conversa)

ESTA SÉRIE NÃO TERÁ DIA CERTO PARA SER PUBLICADA PORQUE É COMPLEXO CONCILIAR DISPONIBILIDADES FRENTE AO ATRIBULADO COTIDIANO DE QUEM TRABALHA COM ARTE E EDUCAÇÃO.


Lei a seguir a entrevista exclusiva com Claudio e Paulo:


ARTEDUCAÇÃO ONLINE (AEOL): Em quais escolas vocês desenvolvem suas atividades?

Cláudio - Atualmente trabalho no Colégio Rumo com turmas do 9º ano Fundamental à 3ª série do Ensino Médio e no Anglo Leonardo da Vinci apenas com o Ensino Médio. As postagens que publiquei até agora no blog FORMA E CONVERSA referem-se aos trabalhos no Rumo, mas logo começarei a postar o que desenvolvo no CAPS Diadema na Oficina de Arte para Pessoas com Grave Sofrimento Psíquico (lá trabalhei por 7 anos), na EMIA (Escola Municipal de Iniciação Artística) de Santo André e no CEU Vila Atlântica/EMIA do CEU, CEU Jardim Paulistano no Programa de Iniciação Artística/PIA e outros.

Paulo - Atualmente sou coordenador da área de Arte do Colégio I.L.Peretz e professor de Artes Visuais na Educação Infantil e no Ensino Fundamental da Escola Arraial das Cores, em ambas há mais de 15 anos.

AEOL: Desde quando vocês são arte/educadores?

Paulo - Sou formado em Música, em Artes Visuais, possuo formação técnica em marcenaria e recentemente tenho me interessado por aprofundar a compreensão sobre minha prática educativa. Por este motivo cursei mestrado em educação na USP. Meu percurso profissional passa por estas áreas e trabalhei vários anos na EMIA (Escola Municipal de Iniciação Artística) de São Paulo como professor de música e na EMIA de Santo André com oficinas de construção de brinquedos e marcenaria para jovens e adultos. Recentemente orientei um projeto de Oficina de Marcenaria no Instituto Tomie Ohtake desenvolvendo projetos de mobiliário com adultos. Tenho experiência também em cursos de educação continuada de professores e em cursos superiores de pedagogia, sempre com a disciplina de Metodologia do Ensino da Arte.

Claudio - Comecei a trabalhar com Ensino de Arte logo depois que comecei a pintar. Isso foi em Ouro Preto por volta de 1984. Entrei neste projeto substituindo uma amiga – era uma peça de mamulengo que rodava nas periferias desta cidade dirigido a crianças. Depois do espetáculo oferecíamos oficinas de arte: um dia era pintura, noutro argila, depois desenho...
Embora fosse algo muito alegre e descontraído, eu não tinha muita consciência do que fazia até então. Logo que cheguei a São Paulo, integrei o projeto de Monitoria Infanto-juvenil da 18ª Bienal de São Paulo e lá tive uma formação mais sistematizada. Era um curso de História da Arte Moderna com duração aproximada de 200 horas que junto tinha uma formação/treinamento específico de arte educação na qual líamos muito, discutíamos e tínhamos atividades práticas coordenadas por Chakè Ekizian, Paulo Von Poser e Marcia Matias sob a supervisão geral da Ana Cristina Rocco.

A partir dessa experiência passei a encarar a arte educação como uma atividade de conhecimento, assim como a arte. Era uma prática de pesquisa de possibilidades expressivas e investigação de procedimentos de criação artística e de como podíamos relacionar as questões da arte que nos interessavam com a interação entre pessoas – crianças, jovens, adultos, passei a me interessar por trabalhos com pessoas com dificuldades em diversas situações, como crianças e jovens sob risco social e doentes mentais. Foram alguns bons anos trabalhando com arte educação não formal, em instituições geralmente do governo, até que por necessidades específicas, num grupo grande de artistas educadores de diversas áreas artísticas – na EMIA, montamos uma cooperativa. E muita água rolou. Mas foi depois dessa fase que me direcionei para a escola formal, onde estou agora.

AEOL: Vocês conciliam a sala de aula com outras atividades?

Cláudio - Todo o tempo desde 1982 trabalho com pintura, em alguns momentos com gravura e outras coisas, mas o trabalho com arte, num projeto pessoal é que de certa forma me sustenta na arte educação.

Paulo - Atualmente a minha atuação é maior em sala de aula, tenho dedicado pouco tempo para uma produção artística pessoal. Porém nem sempre foi assim. Durante muitos anos tive um ateliê de marcenaria que dividia o meu tempo de trabalho produzindo móveis e objetos de marchetaria.

AEOL: O que fundamenta o ensino de arte que realizam?

Cláudio - Posso dizer muito seguramente que o fundamento da arte educação que pratico é a minha pintura. É claro que as experiências vão se somando e sedimentando uma trajetória composta de estudos, pesquisas, pessoas incríveis, mas a verdade do que falo e proponho para os estudantes e participantes está ancorada na minha própria experiência de arte.

Paulo - Meu caminho começa nas atividades que eu desenvolvia na infância, adolescência e início da vida profissional. Esta experiência sem dúvida marca a minha forma de ensinar. Mas ninguém aprende sozinho, meus verdadeiros mestres encontrei nas escolas por que passei (coordenadoras e colegas de trabalho).

AEOL: Dentre tudo o que já fizeram nas escolas, quais atividades foram marcantes?

Cláudio - Das atividades mais marcantes, algumas delas estamos colocando no blog, mas
muita coisa legal que fizemos não temos registros digitalizados.

Paulo -  Minha entrada para a EMIA de São Paulo em 1985 e meu primeiro período na EMIA de Santo André entre 1990 e 1992 foram marcantes pelo aprendizado que me proporcionaram. Um espaço de troca e interlocução é fundamental.

AEOL: O que os levou à blogsfera?

Paulo – Há muitos anos conversamos, eu e Cláudio, sobre as experiências que desenvolvemos nas escolas, em alguns momentos até conjuntamente, sempre com o desejo de difundir e trocar idéias sobre arte e educação. Na verdade engavetamos vários projetos.
Recentemente em um encontro de arte educadores fiquei sensibilizado pela troca de experiências e como foi enriquecedor para todos. Aí me animei em chamar o Cláudio para desengavetar um de nossos projetos na forma deste blog, tentando criar um espaço que desse forma as nossas conversas e que outras pessoas também pudessem usufruir e contribuir.

Cláudio - Primeiro foi a vontade de comunicar algo que transborda. Por um lado esse desejo de compartilhar para obter inclusive uma interlocução, mostrar para o outro e ter a visão do outro também – a troca. Mas também temos consciência que vivemos numa terra árida, digo num setor educacional com muitas necessidades, um público alvo enorme, com possibilidades de desenvolvimento humano em trabalho com arte muito grande, mas em compensação com pessoas, profissionais em grandíssimo número com poucas referências de trabalho em criação com profundidade, de trabalho com arte na perspectiva da construção de consciência. Por isso tentamos colocar alguma coisa nesse terreno, talvez funcione como alguma referência, talvez suscite alguma discussão.

ARTEDUCAÇÃO ONLINE  e arteducação produções agradecem a entrevista com Paulo Nin Ferreia e Cláudio Ribeiro Barros e indicam: http://formaeconversa.blogspot.com/


Claudio Ribeiro Barros e Paulo Nin Ferreira em entrevista exclusiva para ARTEDUCAÇÃO ONLINE
http://www.arteducacaoproducoes.com.br/
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