18 fevereiro 2015

ANA MAE INFORMA: PRIMEIRO CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO ARTÍSTICA E CULTURA VISUAL "HACIA UNA EDUCACIÓN INCLUSIVA E INTERRELACIONAL"

O Congresso aconteceu no Peru entre 11 e 13 de fevereiro de 2015. Ana Mae Barbosa esteve presente e enviou para o AEP Online um relatório dos mais animadores para a arte/educação. Segue:



O ano de 2015 começou bem para a Arte/Educação na América Latina, pois, já em fevereiro, o primeiro Congresso de Educação Artística nesta parte do mundo foi muito intenso.

Aconteceu em Lima, no Peru, na Escola Nacional de Belas Artes. Éramos cinco estrangeiros, sendo eu a única falando outra língua, pois os outros eram da Espanha.

Duas jovens pesquisadoras que já estiveram no Brasil, Maria Acaso e Clara Mejias foram as estrelas. Muito boas com metodologias e discursos próprios. Além delas, o casal Juana Sancho e Fernando Hernandez, sempre atentos ao que ocorre nos outros países. Ele defendeu a Pedagogia do Acontecimento, fala muito bem com uma retórica bem modelada. Já a Juana é mais apaixonada na fala.
Atelier de Maria Acaso
foto: Camilo Espejo

Atelier de Maria Acaso
foto: Camilo Espejo

Atelier de Maria Acaso
foto: Camilo Espejo

Atelier de Maria Acaso
foto: Camilo Espejo

Denis Atkinson esteve no Brasil dois anos atrás na UNESP falando da Pedagogia do Acontecimento que é baseada em Badiou, mas acho que não foi tão bem entendido como no Peru. Fernando é muito bom intérprete e comunicador.

De uma recente entrevista em um jornal no Brasil podemos depreender que Badiou é Marxista, defende a ideia de uma internacionalização positiva da revolta.  Sua filosofia é polifônica, contra sistemas fechados, defendendo um sistema humanizado exigente que inclui as teorias matemáticas modernas e quatro dimensões da existência: o amor, a arte, a política e a ciência. Badiou definiu os processos políticos atuais como uma “guerra das democracias contra os pobres”. “O filósofo francês é um teórico dos processos de ruptura e não um mero panfletário”

O organizador desse Primeiro Congresso de Educação Artística do Peru realizado na Escola de Belas Artes em Lima, Prof. Mario Mogrovejo e sua equipe, nos receberam magnificamente. Destaco dentre os organizadores e participantes Miluska Duenas Vera, Coletivo Cholo, Museu Itinerante por la Memória, Teresa Arias, Liliana, Claudia Yupanqui, Caterryn Mendonça, Ysabel Robalino, Miguel Garcia Nuñez (coordenador da Licenciatura em Artes Visuales da PUC-P), Cynthia Capriata ( do Ministério de Educação e artista), Pedro Vargas (artista e professor) e os alunos e alunas entre as quais quero homenagear Elizabeth Cordero.

Surpreendi-me com o uso da Abordagem Triangular que me disseram ter sido introduzida no Peru por Miriam Nemes, professora da Escola de Belas Artes, hoje aposentada mas que tem grande prestígio entre colegas e alunos. Infelizmente não estive com ela pois estava viajando, mas seus ex-alunos me mimaram com presentes e passeios.

A palestra de quatro professores intitulada "La investigation como  practica en una escuela superior de bellas artes, en un curso de taller" demonstrou o uso muito adequado e inventivo da Abordagem Triangular (Jesus Morate, Alice Vega , Carlos Risco, Carlos Valdez).

A idolatria em relação à Europa é, como no Brasil, visível. Para afirmar isto não há necessidade de pesquisa, mas este é um mal que se manifesta principalmente nas Artes Visuais e, como entre nós não é explicitado ideologicamente, se revela principalmente por um certo desinteresse e descrença pelo que acontece nos outros países latinoamericanos. Porém, mais que nós brasileiros, os universitários peruanos já usam uma bibliografia latinoamericana em Arte e Arte/Educação como Ernesto Dussel, Camnitzer, Juan Acha etc.

Muito se pode esperar do Peru para a consolidação de políticas educacionais que valorizem a Arte na Educação.

Chile e Peru talvez tenham sido os países Latino Americanos que mais adequadamente reprojetaram a Bauhaus em seus próprios  mundos. Estão fazendo o mesmo agora com as múltiplas metodologias do Ensino da Arte ou do acolhimento na Arte, enfocando sua riqueza cultural milenar ao mesmo tempo que se inserem na Transmodernidade, operando uma mixagem (expressão usada por Maria Acaso) sem modelos fixos e predeterminados.



Ana Mae Barbosa

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