O Brasil está discutindo a BNCC - Base Nacional Comum Curricular, o que substituirá os PCN - Parâmetros Curriculares Nacionais de 1998.
Isso implica em definir 60% do que se ensinará nas escolas de todo o país.
A área de Artes está atualmente no módulo Linguagem e dessa forma permite compreender que pode ser dissolvida em outras disciplinas. Por conta disso, a FAEB - Federação de Arte Educadores do Brasil está lutando para que sejam ensinadas as Artes Visuais, a Dança, a Música e o Teatro por professores formados nas respectivas áreas.
Ana Mae Barbosa, a maior autoridade nacional e com inserção internacional neste assunto decidiu fazer um abaixo-assinado para defender a mesma causa e que sejam instituídas estas áreas artísticas como disciplinas.
Resultou dessa iniciativa um artigo disponível aqui e os vídeos abaixo, tratados como ciberativismo, afinal, Ana Mae vem dedicando sua vida a fazer isso: ativismo pela educação e pelo ensino/aprendizagem das artes.
A ideia original dos vídeos é de Jurema Sampaio e foram veiculados pelo Facebook de Ana Mae. Assista-os, pela primeira vez juntos.
José Minerini
Editor AEOL
06 março 2016
19 fevereiro 2016
KAROL CONKA
Suponho que de tanto ter que explicar que seu nome começa com a letra k é que surgiu o nome Karol Conká.
Em "Lista Vip" ela se insere em uma linha disco diva que vem desde os tempos setentistas de Gretchen e Lady Zu, passando pelo povo montado do mundinho da moda dos anos 1990 capitaneado por Bebete Indarte, DJ Mauro Borges e Johnny Luxo nas casas noturnas Nation, Massivo e Sra. Krawitz de SP. Tudo isso temperado com um boa pitada de rap, DNA da artista.
Dá play:
Catou o toque Village People e o figurino Versace? E a fila de entrada com infindáveis garotas vestidas de nude? Gongou sem dó uma das populares imagens de moda desta segunda década do século XXI. Pura tombação!
Anitta é a cantora pop do momento, estigmatizada por atingir os holofotes com o funk que a classe média e a burguesia trupiniquim (assim mesmo) adora odiar.
Como esse povo trupica mais num cai, durma-se com a badalação dessa moçada pós Lady Gaga, que não tem medo algum de mudar de roupa como quem muda de opinião. Estou falando de uma geração altamente volátil, portanto, a ordem é essa mesma. Que inveja!
Mas... longe de mim desmerecer a "Opinião" de Zé Keti.
Percebeu que os recentes videoclipes brasileiros estão mega produzidos? Giovanni Bianco trabalha com Madonna e dirigiu "Bang" e "Essa mina é louca" de Anitta.
Felipe Sassi fez ótima direção no clipe "Lista VIP" de Karol Conká e Boss in Drama. Repleto de boas referências, cita até o icônico programa televisivo "Soul Train".
Que tal?
José Minerini
P.S.: Usei neste texto algumas expressões comuns entre o povo da moda nos anos 90.
Karol Conká
http://www.zonasuburbana.com.br/rap-nacional/karol-conka-e-boss-in-drama-lancam-clipe-de-lista-vip/
Em "Lista Vip" ela se insere em uma linha disco diva que vem desde os tempos setentistas de Gretchen e Lady Zu, passando pelo povo montado do mundinho da moda dos anos 1990 capitaneado por Bebete Indarte, DJ Mauro Borges e Johnny Luxo nas casas noturnas Nation, Massivo e Sra. Krawitz de SP. Tudo isso temperado com um boa pitada de rap, DNA da artista.
Dá play:
Catou o toque Village People e o figurino Versace? E a fila de entrada com infindáveis garotas vestidas de nude? Gongou sem dó uma das populares imagens de moda desta segunda década do século XXI. Pura tombação!
Anitta é a cantora pop do momento, estigmatizada por atingir os holofotes com o funk que a classe média e a burguesia trupiniquim (assim mesmo) adora odiar.
Como esse povo trupica mais num cai, durma-se com a badalação dessa moçada pós Lady Gaga, que não tem medo algum de mudar de roupa como quem muda de opinião. Estou falando de uma geração altamente volátil, portanto, a ordem é essa mesma. Que inveja!
Mas... longe de mim desmerecer a "Opinião" de Zé Keti.
Percebeu que os recentes videoclipes brasileiros estão mega produzidos? Giovanni Bianco trabalha com Madonna e dirigiu "Bang" e "Essa mina é louca" de Anitta.
Felipe Sassi fez ótima direção no clipe "Lista VIP" de Karol Conká e Boss in Drama. Repleto de boas referências, cita até o icônico programa televisivo "Soul Train".
Que tal?
José Minerini
P.S.: Usei neste texto algumas expressões comuns entre o povo da moda nos anos 90.
10 fevereiro 2016
"TÔ DE BOWIE" DEMONSTROU A VULNERABILIDADE E O AMADORISMO DO CARNAVAL DE RUA DE SP
Ouvi dia desses em um programa de televisão que bloco de carnaval é composto por instrumentos de percussão e vocal. Quando entra instrumento de sopro chama-se banda.
O bloco "Tô de Bowie" tinha sopro e, por conta disso, poderia ser chamado de banda?
Bombou! Lotado, não faltou gente com tatuagem, coque samurai, barba à lenhador com glitter e raios pintados por toda parte à la "Alladin Sane", álbum lançado em 1973 pelo homenageado David Bowie falecido em 10 de janeiro último.
Um casal purpurinado de dourado lembrou que se tratava de um ícone do glam rock e purpurinava quem perto deles ficasse. LoL!
Os problemas apareceram quando as pessoas começaram a reclamar que só se ouvia uma música: "Rebel, rebel". A versão carnavalesca ficou ótima, mas parecia show de Valeska Popozuda na Virada Cultural 2014 de tanto que repetia a mesma música.
O cortejo parou de andar e de tocar para anunciar que havia chego no pobre carro de som uma carteria de identidade perdida. O gesto nobre de anunciar o achado no microfone foi aplaudido por quem lá estava de boa, digo, de bowie.
Batman, o dono da carteira, subiu no fraco carro de som e aproveitou a deixa para pedir sua namorada, Branca de Neve, em casamento. Óóóóóóóóhhhh, o rapaz encarnou um Batman encantado e foi ovacionado pelos aproximadamente 40 mil participantes. Já falei que o carro de som era péssimo? Sim, era chocho mas deu para ouvir o pedido de casamento.
Mesmo assim, xoxo (abraços e beijos) para o "Tô de Bowie" pois reinou a liberdade, e isso já é muito importante. Ano que vem estarei lá e espero que "Rebel rebel' seja realmente rebel. Se em Salvador folião pipoca é o hype de 2016, que em São Paulo sejamos todos "tô de boa" e continuemos livres, sem cordas nem abadás. Isso sim é rebeldia.
Alalaô Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de São Paulo: São Paulo é movida por um capitalismo feroz e profissionais do entretenimento certamente já miram suas estratégias que constroem mas também destroem coisas belas para o carnaval de rua da cidade. Estamos vulneráveis. Resistência e rebeldia já!
Depois do casório, o sofrível carro de som (já falei sobre isso?) começou a tocar outras músicas de Bowie. Em playback.
O amadorismo pairou sobre o desfile de "Tô de Bowie": parou no meio da Avenida Rio Branco enquanto nós que estávamos no chão éramos prensados uns aos outros por quem vinha atrás. Ta tranquilo ta favorável? Não, né!
Precisamos aprender com o povo de São Luís do Paritinga, de Salvador, Rio de Janeiro, Olinda, Bezerros, Ouro Preto ... que bloco, banda, trio elétrico, cortejo, cordão ou seja lá que nome se dá que não pode parar para nada. O povo sufoca!
Após isso, desisti, saí da Avenida Rio Branco. Entristecido, porque queria ir até o Vale do Anhamgabau super de bowie. Já não sou mais jovem o suficiente para saber de tudo e muito menos para seguir prensado no calor do asfalto da paulicéia que potencializa o sol de Verão a níveis absurdos.
A cidade de São Paulo se gaba de ser a mais rica de todo o Brasil. Mas falta-lhe a humildade de saber que seu crescente carnaval de rua ainda tem muito que aprender antes que o poder do dinheiro dite suas regras. Banheiro químico era quase mostruário de showroom de tão pouco e carro de som com qualidade sofrível, mas, se não me engano, do som já falei. Fato é que quem pode pode, e quem não pode se sacode entre urina e apertões de bloco parado pisando em garrafa de vidro quebrada no chão.
Hello organizadores do "Tô de Bowie", por favor, não parem nunca de andar e que tal fazer uma única versão com as músicas "Quem pode pode" e "Heroes"? Heroísmo teve quem enfrentou esse amadorismo todo. Não culpo os inventivos criadores desse bloco/banda, pois vocês só fizeram aparecer quão frágil está o carnaval de rua de São Paulo.
Outros blocos devem ter passado por isso certamente, mas não vi. A rua é de todo mundo e merecemos melhor estrutura para viver o "rebel, rebel" do carnaval. Quanto ao "Tô de Bowie", já que amor não falta, mais música por favor!
José Minerini
P.S.: Não acompanhei a maior parte do trajeto e espero que outras músicas de David Bowie tenham sido tocadas em versão carnavalesca. Repertório tem de sobra.
O bloco "Tô de Bowie" tinha sopro e, por conta disso, poderia ser chamado de banda?
Bombou! Lotado, não faltou gente com tatuagem, coque samurai, barba à lenhador com glitter e raios pintados por toda parte à la "Alladin Sane", álbum lançado em 1973 pelo homenageado David Bowie falecido em 10 de janeiro último.
http://www.obaoba.com.br/evento/balada/bloco-to-de-bowie-2016-sao-paulo-09-02-2016 / divulgação
Um casal purpurinado de dourado lembrou que se tratava de um ícone do glam rock e purpurinava quem perto deles ficasse. LoL!
Os problemas apareceram quando as pessoas começaram a reclamar que só se ouvia uma música: "Rebel, rebel". A versão carnavalesca ficou ótima, mas parecia show de Valeska Popozuda na Virada Cultural 2014 de tanto que repetia a mesma música.
O cortejo parou de andar e de tocar para anunciar que havia chego no pobre carro de som uma carteria de identidade perdida. O gesto nobre de anunciar o achado no microfone foi aplaudido por quem lá estava de boa, digo, de bowie.
Batman, o dono da carteira, subiu no fraco carro de som e aproveitou a deixa para pedir sua namorada, Branca de Neve, em casamento. Óóóóóóóóhhhh, o rapaz encarnou um Batman encantado e foi ovacionado pelos aproximadamente 40 mil participantes. Já falei que o carro de som era péssimo? Sim, era chocho mas deu para ouvir o pedido de casamento.
Mesmo assim, xoxo (abraços e beijos) para o "Tô de Bowie" pois reinou a liberdade, e isso já é muito importante. Ano que vem estarei lá e espero que "Rebel rebel' seja realmente rebel. Se em Salvador folião pipoca é o hype de 2016, que em São Paulo sejamos todos "tô de boa" e continuemos livres, sem cordas nem abadás. Isso sim é rebeldia.
Alalaô Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de São Paulo: São Paulo é movida por um capitalismo feroz e profissionais do entretenimento certamente já miram suas estratégias que constroem mas também destroem coisas belas para o carnaval de rua da cidade. Estamos vulneráveis. Resistência e rebeldia já!
Depois do casório, o sofrível carro de som (já falei sobre isso?) começou a tocar outras músicas de Bowie. Em playback.
O amadorismo pairou sobre o desfile de "Tô de Bowie": parou no meio da Avenida Rio Branco enquanto nós que estávamos no chão éramos prensados uns aos outros por quem vinha atrás. Ta tranquilo ta favorável? Não, né!
Precisamos aprender com o povo de São Luís do Paritinga, de Salvador, Rio de Janeiro, Olinda, Bezerros, Ouro Preto ... que bloco, banda, trio elétrico, cortejo, cordão ou seja lá que nome se dá que não pode parar para nada. O povo sufoca!
Após isso, desisti, saí da Avenida Rio Branco. Entristecido, porque queria ir até o Vale do Anhamgabau super de bowie. Já não sou mais jovem o suficiente para saber de tudo e muito menos para seguir prensado no calor do asfalto da paulicéia que potencializa o sol de Verão a níveis absurdos.
A cidade de São Paulo se gaba de ser a mais rica de todo o Brasil. Mas falta-lhe a humildade de saber que seu crescente carnaval de rua ainda tem muito que aprender antes que o poder do dinheiro dite suas regras. Banheiro químico era quase mostruário de showroom de tão pouco e carro de som com qualidade sofrível, mas, se não me engano, do som já falei. Fato é que quem pode pode, e quem não pode se sacode entre urina e apertões de bloco parado pisando em garrafa de vidro quebrada no chão.
Hello organizadores do "Tô de Bowie", por favor, não parem nunca de andar e que tal fazer uma única versão com as músicas "Quem pode pode" e "Heroes"? Heroísmo teve quem enfrentou esse amadorismo todo. Não culpo os inventivos criadores desse bloco/banda, pois vocês só fizeram aparecer quão frágil está o carnaval de rua de São Paulo.
Outros blocos devem ter passado por isso certamente, mas não vi. A rua é de todo mundo e merecemos melhor estrutura para viver o "rebel, rebel" do carnaval. Quanto ao "Tô de Bowie", já que amor não falta, mais música por favor!
José Minerini
P.S.: Não acompanhei a maior parte do trajeto e espero que outras músicas de David Bowie tenham sido tocadas em versão carnavalesca. Repertório tem de sobra.
07 fevereiro 2016
TÁ TRANQUILO TÁ FAVORÁVEL
Eis que surge mais um clássico da Música Popular Brasileira.
Dessa vez vem de SP e tem potencial para se equiparar ao "Beijinho no ombro" de Valeska.
O clipe para o funk "Ta tranquilo Ta favorável" de MC Bin Laden não tem a mesma megaprodução da funkeira carioca mas é corajoso e fala direto com a moçada que está na casa do 20 anos.
Dá play:
Dessa vez vem de SP e tem potencial para se equiparar ao "Beijinho no ombro" de Valeska.
O clipe para o funk "Ta tranquilo Ta favorável" de MC Bin Laden não tem a mesma megaprodução da funkeira carioca mas é corajoso e fala direto com a moçada que está na casa do 20 anos.
http://www.brasilpost.com.br/2016/02/04/fff_0_n_9161532.html
Dá play:
Que tal?
José Minerini
José Minerini
01 fevereiro 2016
MASP 2016
Primeira mão: Remontagem de exposições dos primórdios do prédio da Avenida Paulista. Põe na agenda:
- "Playground" de Nelson Leirner no vão livre
- "A mão do povo brasileiro" no 1º andar
Eba!
- "Playground" de Nelson Leirner no vão livre
- "A mão do povo brasileiro" no 1º andar
Eba!
26 janeiro 2016
ANA MAE INFORMA: POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O ENSINO DA ARTE NO BRASIL
O perde e ganha das
lutas
Por: Ana Mae Barbosa
(USP e Universidade Anhembi Morumbi - São Paulo).
RESUMO: Este
texto é um histórico das lutas que os arte/educadores brasileiros e a FAEB
(Federação de Arte Educadores do Brasil) têm enfrentado para manter as Artes
como disciplinas obrigatórias no currículo. Este histórico se faz necessário
frente a atual luta que começamos a desencadear contra a desqualificação das
Artes na BNCC - Base Nacional Curricular Comum presentemente em discussão no
país.
Palavras-chave: Politica,
Ensino da Arte, Arte/Educadores
ABSTRACT: This paper is a history of struggles that Brazilian
art/educators and FAEB have faced to keep the arts as compulsory discipline in
the curriculum. This history is needed to help us to be persistent in this new
struggle that we began to unleash against the disqualification of Arts in the
BNCC currently under discussion in the country.
Keywords: Politics, Art Teaching, Art/Educators
No Brasil as Artes
só tiveram a mesma importância que as outras disciplinas no currículo em três
reformas:
1 - Reforma Rui
Barbosa, que deu especial atenção e maior número de páginas ao ensino do
Desenho; (1882-1883);
2 - Escola Nova,
especialmente a Reforma Fernando de Azevedo, no Distrito Federal, e Reforma de
Minas Gerais(1927 -1930);
3 - Reforma
Curricular de Paulo Freire, nas Escolas da Prefeitura de São Paulo.
De resto, Arte tem
sido desprezada no currículo, mas raramente de maneira TÃO agressiva e
explicita como está sendo feito pela nova Base Nacional de Currículo Comum que
vai substituir os PCN. Na comissão que determinou o texto da BNCC, que estamos
discutindo, deveria ter sido incluído um representante da diretoria da
Associação de Arte Educadores do Brasil.
A estratégia de
considerar as Artes SUB-componentes é SUB-repticiamente intencional com o
objetivo de, sem ferir a Lei de Diretrizes e Bases, retirar Arte do currículo,
ou melhor, não contratar professores de Artes, que ficarão atreladas às outras
disciplinas. O professor de Português ilustrará suas aulas com obras de Arte
etc. Por exemplo, ao discutir o tema "ponto de vista" em Literatura,
usará a tela "As meninas", de Velásquez. Teremos aí uma excelente
aula interdisciplinar, mas não é apenas Arte como tema transversal que nossos
estudantes do Ensino Fundamental e Médio precisam. Temos que agir
imediatamente, sem medo do MEC.
O problema que vejo
é que acabou a ditadura, mas os professores, especialmente os universitários,
continuam com medo do MEC, que pode persegui-los, negando bolsas e outros
benefícios. É preciso ter coragem e se arriscar. Fui perseguida pela CAPES e
CNPq nos tempos da ditadura, tudo me era negado, e a meus orientandos, mas
consegui, com a colaboração de colegas do Jornalismo da ECA-USP, e de Heloísa
Ferraz, a entrada do Ensino da Arte na ANPAP, quando ela foi constituída pelo
CNPq. A ANPAP iria ser só de História/Teoria da Arte e Poéticas Visuais. Ainda
mais, demos chance para se criar as áreas de Curadoria e Restauração, pois, diante
da entrada de Ensino da Arte, as pessoas contra essa entrada raciocinaram que,
se nossa área, que consideravam subárea, entrou, outras áreas
"periféricas" da História e das Poéticas deveriam entrar.
Valeu a pena ser
perseguida e pude até ser redimida quando me tornei Presidente da ANPAP. Na
minha gestão, e nas seguintes, o número de arte/educadores na ANPAP cresceu
tanto que, posteriormente, a Diretoria do Rio Grande do Sul quis retirar Ensino
de Arte da ANPAP. Foi outra luta que está mencionada no meu livro Tópicos
Utópicos.
Nos inícios de 1980,
Claudio de Moura e Castro, então Presidente da CAPES, organizou um Congresso em
Ouro Preto para fazer os convidados apoiarem sua ideia de que, para as Artes,
não era necessário Doutoramento. Nível de doutoramento seria concedido a quem
fizesse uma exposição no MASP, um concerto na sala Cecília Meireles etc.
Uma aluna minha
acabara de ter uma individual no MASP, porque o Bardi queria fazer uma
exposição da coleção de Arte do pai dela. Os convidados do Congresso eram todos
dependentes da CAPES. Eu, por exemplo, havia voltado de um Curso do British
Council, pago pela CAPES, visitando as Pós-Graduações na Inglaterra. Além
disso, havia, no encontro de Ouro Preto, figuras de brasileiros notáveis, como
a venerável Bárbara Heliodora Carneiro de Mendonça, tia do Moura e Castro,
considerada a maior especialista de teatro do país, e artistas como Regina
Silveira.
Ninguém se opôs, eu
usei minha fala só para combater a proposta, e denunciei o encontro como uma
armadilha para nos obrigar a amarrar um pacote decidido pela CAPES. Hoje
reconheço que era muito agressiva. Depois disso, fui obrigada a comer todo dia
sozinha, ninguém chegava perto da mesa em que eu estava, só a professora
Pompeia da UFMG, que estava prestes a se aposentar, e o assistente do Claudio
de Moura e Castro, ousaram fazê-lo. Esse último, por estratégia política, ou
para amansar a fera. Mas, um convidado americano, de Música, da Universidade do
Texas, considerado brasilianista, ficou tão revoltado, porque eu disse que,
eles, de fora vieram nos convencer de que o que era bom para os Estados Unidos,
era bom para o Brasil, se recusou a dar sua palestra. Desde aí não tive bolsa
da CAPES por quase 10 anos.
A luta pela
manutenção da obrigatoriedade do ensino da Arte foi de todos da FAEB. Fizemos
manifestações públicas em frente à Bienal, e usamos o “telegramaço”, enviando
mensagens para todos os senadores. Coloquei minha cabeça a prêmio na minha
própria universidade, pois ia falar com os poderosos da USP, envolvidos na
constituição da Lei de 1996. Tornei-me antipática para alguns, e acusada de
corporativista.
Outra luta em prol
do reconhecimento das Artes foi iniciada por Laís Aderne, frente ao MEC, na
época em que o SESU tinha comissões de avaliação em todos as áreas
universitárias, menos em Artes e Educação Física. Laís conseguiu, por meio do
Prof. Iveraldo Lucena, que fôssemos recebidas pelo Ministro da Educação, e ele
nos delegou a tarefa de organizar a Comissão de Artes e Design que, depois de
fazer um trabalho árduo de consulta a todos os Cursos de Artes e Design das
Universidades brasileiras, e quatro encontros nacionais desses cursos
(Brasília, Campo Grande e Salvador), apresentou a proposta de avaliação
assinada por representantes das universidades presentes nos encontros. Não foi
trabalho perdido, pois Lúcia Pimentel escreveu sua tese de doutorado
aproveitando os documentos por nós deixados no MEC. Foram jogados fora pelos
funcionários logo depois que ela os consultou.
Para defender as
artes me meti até na Universidade dos outros, que considerava minha também,
pois nela sofri uma das maiores injustiças de minha vida. Trata-se da
Universidade de Brasília, da qual fui demitida por razões políticas, em 1965,
grávida e tendo de voltar para Recife, onde a situação política era das mais
duras no país. Infelizmente, hoje estou distante da UNB. A convite de Grace
Freitas, diretora do IdA da UNB, e Susete Venturelli, fui à Brasília defender,
no Conselho Universitário, a criação do Mestrado em Artes. Era esperada com
certa dose de aversão, pois pensavam que eu iria defender a ideia de que, para
os professores do mestrado, bastava ser artista, mas, consegui dialogar muito
bem com os cientistas. Hoje 'pago o pato' por ter ajudado a UNB e sou até
difamada por um "sedizente" todo poderoso, da mesma Pós-Graduação do
IdA que ajudei a defender.
Não é para me gabar
que estou dizendo tudo isto, mas, para lembrar que pagamos por nossas
intervenções junto ao poder governamental, mas vale a pena, se conquistamos
algo para nossa área, tão frágil e desempoderada. Pago, até hoje, por ter
criticado acerbamente os Parâmetros Curriculares de Artes Visuais, contra os
quais lutei quase sozinha, contando com a companhia apenas de Maura Penna, que
liderava um grupo de João Pessoa (UFPB), que escreveu um livro com críticas
muito pertinentes. Mas, aceitei participar da consultoria sobre os PCN de 5ª a
8ª série, para livrá-los do excessivo modernismo e, com a ajuda de Ingrid
Koudela, introduzimos a CONTEXTUALIZAÇÃO, que é considerada, hoje, uma das
características da Educação e das Artes Contemporâneas, opondo-se ao
vanguardismo modernista, e à reflexão da filosofia escolástica, dois pecados
dos PCN de 1º ao 4º anos. Há poucos dia uma aluna me contou que sua professora,
no Rio de Janeiro, disse que eu fui contra os PCN porque meu nome não estava
neles. O pior é que estava lá meu nome como consultora nos PCN de 5ª a 8ª
série, isto é, 5º a 8º ano.
Os meus amigos me
criticam porque não economizo meu nome. Em qualquer luta justa eu me meto de
cabeça, e tenho pena dos que desistem, para proteger suas imagens e nomes
frente aos poderes constituídos e a História. Hoje precisamos nos posicionar,
encher a caixa de e-mail da Fundação Lemann, dos donos da AMBEV, AB INBEV,
Burger King, Lojas Americanas, Americanas.com, Submarino, Shoptime etc., que
vivem na Suíça, educam filhos e netos no primeiro mundo, que valora as Artes, e
querem para nosso povo uma educação para as artes meramente ilustrativa das
outras disciplinas, submetida as outras disciplinas.
É a Fundação Lemann
que está desenhando a BNCC, isso é, os novos Parâmetros Curriculares. Mais uma
vez nos reduzem à condição de colonizados. A ditadura entregou à Universidade
de San Diego o poder de decidir nossa educação. A redemocratização entregou
esse poder a um espanhol, Cesar Coll, que fracassara na tarefa de desenhar o
currículo nacional de seu próprio país e enriqueceu escrevendo e vendendo livros
paradidáticos medíocres, sobre todas as disciplinas, através do MEC, para os
professores de todo o país. Agora, a Fundação Lemann quer nos submeter aos
desígnios da Universidade de Stanford, melhor do que a de San Diego, que
dominou nossa educação na ditadura, mas, uma universidade de um país
hegemônico, que quer continuar hegemônico.
Por favor, não
acreditem no falso discurso da interdisciplinaridade. Já fomos enganados pela
ditadura que, em nome da interdisciplinaridade, pretendeu preparar, em dois anos,
um professor para ensinar Música, Teatro, Artes Visuais, Dança e Desenho
Geométrico, tudo ao mesmo tempo. Ninguém poderia ser Leonardo da Vinci no
século XX.
Imagem: Petição para Manter no currículo como disciplinas as Artes Visuais, Teatro, Música e Dança!
Sinceramente, não
sei se devemos culpar somente à Fundação Lemann pela agenda escondida, contra
as artes, no currículo, pois, na época em que o Prof. Paulo Renato foi
Secretário de Educação de São Paulo, depois de ter sido Ministro de Educação de
Fernando Henrique, e tratado as Universidades Federais “à míngua”,
apareceu no Diário Oficial uma portaria determinando que no EJA quem ensinaria
Artes seria o Professor de língua estrangeira.
Escrevi ao Secretário
e não tive resposta. Pedi a um jornalista amigo meu, do PSDB, muito conceituado
nos meios intelectuais, que fizesse alguma coisa para que eu pudesse convencer
o secretário a voltar atrás. Ele entregou a carta ao Serra, então governador,
que me respondeu prometendo entregá-la ao Secretário. Recebi resposta marcando
uma reunião à qual não pude comparecer, mas, Christina Rizzi e Jaqueline Mac
Dowell, então presidente da FAEB, foram e demoveram as assessoras de Artes de
pôr em pratica a portaria. O que elas disseram é que havia chegado do MEC uma
nova assessora, que teria sido autora da ideia, para economizar com professor.
Sejam lá quem forem
os culpados, MEC ou Fundação Lemann, não podemos relegar as Artes à condição de
subcomponentes, quando já conquistamos o lugar de disciplinas em legislações
anteriores.
Lutemos contra a SUB
ARTE no currículo.
Lutemos contra a
educação banqueira do “Todos pela Educação”, não só contra a educação bancaria
que Paulo Freire condenava. O programa Todos pela Educação organizado pelos
ricos do Brasil há quase dez anos mina as Secretarias de Educação
gerenciando-as e culminou em São Paulo com o problema do projeto de fechamento
das escolas heroicamente combatido pelos próprios alunos.
NOTA DA
AUTORA: Lembrando que os BNCC estão baseados no Núcleo
Comum americano. Recomendo a todos a leitura completa deste excelente texto
sobre a trajetória do BNCC: MACEDO, Elizabeth. Base Nacional Curricular Comum:
novas formas de sociabilidade produzindo sentidos para educação. Revista e-Curriculum,
São Paulo, v. 12, n. 03, p.1530-1555 out./dez. 2014. ISSN: 1809-3876 1530
Programa de Pós-graduação Educação: Currículo – PUC/SP. Disponível em
<http://revistas.pucsp.br/index.php/curriculum/article/viewFile/21666/15916>,
acesso em 20/01/2016
NOTA DO
EDITOR AEOL: Ana Mae Barbosa organizou uma PETIÇÃO ONLINE para que
a Arte não seja um sub-componente na BNCC, saindo da área de Linguagem para tornar-se
componente próprio. ASSINE AQUI e apoie o Ensino das Artes
Visuais, do Teatro, da Música e da Dança nas escolas de todo o Brasil. É fácil
e rápido!
14 dezembro 2015
A CASA DE VIDRO DE LINA BO BARDI
Já foi visitar? Fica no Morumbi.
Dá uma olhada!
Saiba aonde fica e muito mais aqui.
José Minerini
com colaboração de Camila Lia
Leticia Moreira/Folhapress
http://classificados.folha.uol.com.br/imoveis/2013/11/1370886-casa-de-vidro-projetada-por-lina-bo-bardi-em-1951-foi-a-primeira-do-morumbi.shtml
Dá uma olhada!
Saiba aonde fica e muito mais aqui.
José Minerini
com colaboração de Camila Lia
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